Estilhaçaremos nossos escudos!


Essa é uma tradução livre e adaptada da regra original postada no blogue Trollsmyth

Agradeço ao autor pela autorização de tradução! 

Estilhaçaremos nossos escudos!

O escudo, de fato, não recebe o prestígio que merece. Há uma razão pela qual ele foi um equipamento essencial dos guerreiros ao logo da história humana. Escudos sabem o que estão fazendo, sendo capazes de bloqueiar golpes, interceptar projeteis e também ser utilizados como arma. Apenas reduzir a Classe de Armadura (CA) em um ponto, dentro do esquema de Tentativa de Acerto para Classe de Armadura Zero (TAC0) não representa a totalidade de feitos que esse nobre instrumento é capaz de fazer. 

Além disso, dentro da gama de opções de armas comumente presentes em retroclones de D&D B/X e similares gastar uma mão para uma redução de apenas um ponto de CA a pior escolha estatísticamente. Armas de uma mão variam entre 1d4, 1d6 e 1d8 de dano, enquanto opções de duas mãos podem ofertar, para além desses cenários, 1d10, 2d4 ou mesmo situações de rolar 2d6 e escolher o melhor, como no uso de duas armas.

Com isso, percebe-se que há um grande incentivo para lutar sem escudo, visando aumentar o dano causado pelos personagens, tornando o escudo uma escolha pouco atrativa. O que pode ser feito, então, para reabilitar o escudo e torná-lo uma opção mecanicamente interessante?

Consideremos permitir que o escudo funcione como uma espécie de armadura ablativa. Um fato comum sobre escudos históricos é que eles frequentemente se estilhaçavam. Um golpe forte de machado ou espada podia partir um escudo ao meio, quebrando suas tábuas. Em duelos vikings, por exemplo, havia a regra dos três escudos, permitindo a cada combatente entrar com um escudo no braço e dois de reserva. (Acredito que isso tenha sido mostrado em O 13º Guerreiro, embora eu não veja o filme há muito tempo, então minha memória pode estar falha.)

A regra da casa "Estilhaçaremos nossos escudos!" tem a seguinte proposta: O escudo ainda concede o habitual -1 na CA, mas, para além disso, sempre que o personagem sofrer dano ele pode optar por declarar que o escudo absorveu o golpe. Nesse caso, o escudo é destruído e deve ser descartado, mas o personagem não sofre nenhum dano daquele ataque. É uma solução simples, rápida e eficaz.

E quanto à magia? Um escudo deveria proteger contra a fúria de uma bola de fogo ou de um raio? Minha intuição diz que sim, mas isso tornaria o escudo extremamente valioso, diminuindo o impacto desses feitiços. Talvez o jogador possa sacrificar o escudo em troca de um sucesso automático no teste de resistência e receber apenas metade do dano? A decisão deve ser tomada antes ou depois da rolagem do teste? Podemos extrapolar e dizer que escudos feitos de materiais especiais ou mesmo mágicos podem ser sacrificados para garantir sucesso automático em testes de resistência contra magia — mesmo aqueles de magias que não causam dano direto.

Ainda pensando nos escudos mágicos, não me agrada muito a ideia de espadas comuns serem capazes de destruir escudos mágicos. Por outro lado, também não quero que um guerreiro possa ignorar ataques a cada rodada apenas porque seu escudo é indestrutível. Talvez cada bônus mágico (+1, +2 etc.) conceda ao escudo uma chance de 10% por ponto de bônus de resistir ao golpe? Ou talvez eu simplesmente decida não incluir escudos mágicos na minha campanha? 

Também considerei permitir que o escudo conceda uma CA de 3 contra um único oponente, mas isso exigiria que o jogador acompanhasse contra quem o escudo está sendo usado, fazendo com que a CA do personagem varie entre 3 e o valor concedido pela armadura. Isso seria muito trabalhoso durante o calor dos combates. 

Além disso, a sensação visceral de escudos sendo partidos ao meio sob os golpes de um inimigo poderoso pode apimentar bem uma cena de combate. 

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